Um grupo de pesquisadores brasileiros está realizando um monitoramento inédito do comportamento de onças-pintadas na Floresta Amazônica. Utilizando colares de GPS e armadilhas fotográficas, a equipe busca entender melhor os padrões de movimentação, território e hábitos de caça dos maiores felinos das Américas.
Os primeiros resultados do estudo, conduzido em parceria com institutos de pesquisa e universidades da região, mostram que as onças percorrem grandes distâncias diariamente em busca de alimento. A análise dos dados de GPS revela que o território de um único macho pode abranger mais de 100 km², exigindo vastas áreas de floresta preservada para sua sobrevivência.
Além do monitoramento por satélite, as câmeras instaladas em pontos estratégicos da mata têm flagrado comportamentos raros, como a interação entre diferentes indivíduos e técnicas de caça específicas para cada tipo de presa. Essas imagens são fundamentais para complementar os dados de rastreamento e fornecer um quadro completo do dia a dia desses animais.
A pesquisa também tem um importante viés de conservação. Ao identificar as áreas de maior circulação das onças e seus locais de reprodução, os cientistas podem orientar políticas públicas para a criação de corredores ecológicos e a mitigação de conflitos com moradores e fazendeiros da região.
O trabalho de campo é intenso e exige grande preparo. As equipes passam semanas na floresta, muitas vezes em áreas de difícil acesso, para instalar e fazer a manutenção dos equipamentos. A tecnologia dos colares de GPS permite obter dados precisos sobre a localização dos animais a cada hora, informações que são enviadas por satélite e analisadas em tempo real pelos pesquisadores em seus laboratórios.
A diminuição do habitat devido ao desmatamento e às queimadas é a principal ameaça à espécie na Amazônia. "Monitorar o comportamento das onças nos permite agir de forma mais eficaz para protegê-las", afirma um dos coordenadores do projeto. "Cada dado coletado é uma ferramenta para garantir que esses animais continuem a reinar nas florestas brasileiras".
Os pesquisadores pretendem expandir o monitoramento para outras regiões da Amazônia nos próximos anos, criando uma rede de dados que ajude a traçar um panorama detalhado da situação das onças-pintadas em todo o bioma. O projeto conta com financiamento de órgãos de fomento à pesquisa e apoio de comunidades locais.