O bioma Pampa perdeu 20% de sua vegetação campestre nativa nos últimos 40 anos, aponta um novo estudo do MapBiomas divulgado nesta semana. A perda equivale a um quinto de toda a cobertura vegetal original do bioma, que se estende pelo Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai.
Segundo os pesquisadores, a principal pressão sobre o ecossistema vem da expansão da agricultura e da silvicultura. Áreas de campo nativo estão sendo convertidas para o plantio de soja, arroz e florestas de eucalipto e pinus. Essa transformação da paisagem tem impactos diretos na biodiversidade e nos serviços ecossistêmicos.
Impactos da perda de vegetação
A vegetação campestre do Pampa é um dos ecossistemas mais antigos e ricos do planeta, abrigando milhares de espécies de plantas e animais. A redução deste habitat coloca em risco diversas espécies endêmicas. Além disso, os campos nativos são essenciais para a regulação do ciclo hidrológico e para o sequestro de carbono.
Entre as espécies mais afetadas estão as aves campestres, como o minuano e o cardeal-amarelo, que dependem diretamente dos campos nativos para se alimentar e reproduzir. A perda de habitat é a principal causa do declínio populacional destas espécies.
O que pode ser feito?
Para reverter este cenário, especialistas apontam a necessidade de políticas públicas mais robustas para a conservação do bioma. A criação de novas unidades de conservação, o incentivo a práticas agropecuárias sustentáveis e a recuperação de áreas degradadas são algumas das medidas urgentes.
O MapBiomas, responsável pelo levantamento, é uma rede colaborativa formada por universidades, ONGs e empresas de tecnologia que mapeia a cobertura e o uso da terra no Brasil e em outros países da América do Sul.
Com informações do MapBiomas.