O governo federal anunciou nesta semana a intenção de retomar as políticas públicas de incentivo à leitura e à bibliodiversidade no país. A iniciativa, encabeçada pelo Ministério da Cultura, prevê a criação de um novo Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) com metas ousadas para os próximos anos.
Segundo fontes do ministério, a ideia é resgatar programas que foram descontinuados nos últimos anos, como a distribuição de livros para bibliotecas públicas e a formação de mediadores de leitura. Também está em estudo a ampliação do programa "Livro Aberto", que já beneficiou milhões de estudantes.
Bibliodiversidade e acesso ao livro
Um dos pilares do plano é a promoção da bibliodiversidade, ou seja, a diversidade de títulos e autores disponíveis para a população. A ideia é fortalecer as editoras independentes e a cadeia produtiva do livro, garantindo que obras de diferentes gêneros e origens cheguem a leitores de todas as regiões.
O governo pretende investir na modernização de bibliotecas públicas, com recursos para aquisição de acervo digital e físico. Também estão previstos editais para fomento à produção literária nacional, com ênfase em autores periféricos e indígenas.
Formação de leitores
Outra frente importante é a formação de leitores críticos e criativos. O governo pretende investir em programas de mediação de leitura em escolas, bibliotecas comunitárias e espaços culturais. A meta é atingir pelo menos 70% dos municípios brasileiros nos próximos quatro anos.
Serão criados cursos de capacitação para professores e bibliotecários, além da distribuição de kits de leitura para estudantes da rede pública. O programa "Conta pra Mim", de incentivo à leitura familiar, também deve ser expandido.
Participação social
A construção do novo PNLL contará com consulta pública online e seminários regionais. A sociedade civil, por meio de conselhos de cultura e associações de escritores, terá assento em comitês de acompanhamento. A intenção é garantir que o plano reflita as necessidades reais da população.
Para a presidente da Associação Brasileira de Editores (ABRALE), a retomada das políticas de leitura é vista com otimismo. "O livro é uma ferramenta essencial para a cidadania e a inclusão social", afirmou.
Investimentos e metas
O orçamento previsto inicialmente é de R$ 500 milhões, podendo ser ampliado com contrapartidas de estados e municípios. As metas incluem aumentar em 30% o número de bibliotecas públicas em funcionamento pleno e distribuir 10 milhões de livros até 2026.
Além disso, o governo quer reduzir a concentração regional do mercado editorial, estimulando a criação de livrarias em cidades do interior e o fortalecimento de feiras literárias locais.
A expectativa é que o novo PNLL seja lançado no segundo semestre de 2024, após tramitação no Congresso Nacional. O ministro da Cultura já sinalizou que a pauta é prioritária e deve contar com apoio de parlamentares da base aliada.
Em paralelo, o governo articula com o Ministério da Educação a inclusão da leitura como eixo transversal nos currículos escolares. A ideia é que cada escola tenha um projeto pedagógico de leitura, com horário específico para leitura silenciosa e compartilhada.
Com essas medidas, o governo espera retomar o protagonismo do Brasil no cenário internacional da leitura, resgatando indicadores que caíram na última década. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, o país perdeu cerca de 4 milhões de leitores nos últimos anos.
A continuidade das políticas públicas, independentemente das trocas de governo, é um desafio. Por isso, o novo PNLL pretende ser uma política de Estado, com previsão orçamentária plurianual e metas de longo prazo.
Para especialistas, o sucesso da iniciativa dependerá da integração entre União, estados e municípios, além do engajamento da sociedade. O momento é de reconstrução e esperança para o livro e a leitura no Brasil.