Saúde

Insônia: especialistas alertam para riscos de remédios inadequados

A insônia atinge cerca de 30% da população brasileira em algum momento da vida, mas a busca por soluções rápidas pode levar a graves consequências. Médicos e especialistas em sono ouvidos pelo Revelando São Carlos reforçam que o uso de medicamentos para dormir sem orientação médica representa um risco significativo à saúde.

O perigo da automedicação

Muitas pessoas recorrem a remédios vendidos sem prescrição ou até mesmo a fármacos controlados obtidos de forma irregular para tratar a insônia. No entanto, esses medicamentos podem causar dependência, tolerância (necessidade de doses cada vez maiores) e efeitos colaterais como sonolência diurna, comprometimento da memória e risco de quedas, especialmente em idosos.

Riscos dos benzodiazepínicos e similares

Os benzodiazepínicos, como diazepam e clonazepam, são frequentemente prescritos para insônia, mas seu uso prolongado é desaconselhado. Estudos mostram que esses medicamentos aumentam o risco de declínio cognitivo, acidentes de trânsito e fraturas. "O paciente pode até dormir melhor a curto prazo, mas os efeitos adversos superam os benefícios quando o uso se torna crônico", alerta o dr. Carlos Mendes, especialista em medicina do sono.

Alternativas não farmacológicas

Especialistas recomendam que o tratamento da insônia comece por mudanças no estilo de vida e pela chamada higiene do sono: horários regulares para dormir e acordar, evitar telas antes de deitar, reduzir o consumo de cafeína e álcool, e praticar atividades relaxantes. A terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é considerada a primeira linha de tratamento, com eficácia comprovada e sem efeitos colaterais.

Quando procurar ajuda?

A insônia persistente – que dura mais de três meses e afeta a qualidade de vida – deve ser avaliada por um médico. O profissional pode investigar causas subjacentes, como depressão, ansiedade, apneia do sono ou síndrome das pernas inquietas, e indicar o tratamento mais adequado. "Nunca compartilhe remédios com amigos ou familiares. O que funciona para um pode ser perigoso para outro", conclui o especialista.

Diante dos riscos, a mensagem dos especialistas é clara: a insônia deve ser levada a sério, mas a automedicação não é o caminho. Buscar orientação médica e adotar hábitos saudáveis são as formas mais seguras e eficazes de recuperar o sono reparador.