O governo do Acre decretou situação de emergência em saúde pública em todo o estado devido às graves enchentes que atingem a região. A decisão foi oficializada por meio de decreto publicado no Diário Oficial do Estado após o transbordamento de diversos rios, incluindo o Rio Acre, que ultrapassou a cota de inundação em Rio Branco e em outros municípios.
De acordo com a Defesa Civil estadual, mais de 30 mil pessoas foram diretamente afetadas pelas cheias, com cerca de 8 mil desalojadas e aproximadamente 2 mil em abrigos temporários. As cidades mais atingidas incluem Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Sena Madureira e Brasileia. O nível do Rio Acre atingiu a maior marca dos últimos cinco anos em algumas localidades.
A emergência em saúde pública foi motivada pelo aumento significativo de casos de doenças de veiculação hídrica, como leptospirose, diarreia aguda, hepatite A e doenças de pele. A medida permite ao governo estadual mobilizar recursos federais, contratar profissionais de saúde emergencialmente e adquirir medicamentos e insumos de forma acelerada, sem a necessidade de licitação.
Equipes da Secretaria Estadual de Saúde e do Ministério da Saúde já atuam nos municípios afetados, realizando ações de vigilância epidemiológica, distribuição de kits de higiene, campanhas de vacinação e tratamento da água para consumo humano. Unidades móveis de saúde foram deslocadas para atender a população nos abrigos temporários montados pela Defesa Civil.
Especialistas alertam que as mudanças climáticas têm tornado eventos extremos como este mais frequentes na região amazônica. Estudos indicam que o aumento da temperatura global intensifica o ciclo hidrológico, resultando em chuvas mais concentradas e severas. Este é o segundo ano consecutivo em que o Acre enfrenta enchentes de grande magnitude, o que reforça a necessidade de políticas públicas de prevenção e adaptação às mudanças climáticas.
A população deve evitar contato com as águas da enchente, que podem estar contaminadas por esgoto e produtos químicos, e procurar atendimento médico em caso de sintomas como febre, vômitos, dores abdominais e lesões na pele. A Defesa Civil mantém canais de atendimento emergencial para a população afetada, e a recomendação é que moradores das áreas de risco busquem os abrigos disponibilizados pelo governo estadual.