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Diretora do Arquivo Nacional quer valorizar memória de periféricos

A historiadora Ana Flávia Magalhães, primeira mulher negra a dirigir o Arquivo Nacional, quer valorizar a memória de comunidades periféricas e marginalizadas.

A ideia é formar uma parceria com os movimentos sociais e a sociedade civil para que a instituição que guarda a memória nacional reflita também a história de quem não está nos grandes centros.

“A gente não pode ter uma política de Estado que não converse com a sociedade”, disse a historiadora em entrevista ao programa ‘Repórter Brasil’, da TV Brasil.

A diretora lembra que o Arquivo Nacional está presente nas capitais e no Distrito Federal. “A ideia é que a gente possa criar instrumentos para garantir que a periferia também se sinta parte da história do Brasil e que a história dela seja também guardada.”

Para a historiadora, que é professora da Universidade de Brasília (UnB), a gestão do Arquivo Nacional tem se aberto cada vez mais para os diversos setores da sociedade.
“Tem um trabalho que é feito em parceria com o movimento negro, com o movimento de trabalhadores rurais sem-terra, com os povos de comunidades tradicionais, de terreiro, quilombolas e indígenas. Então, o próprio Arquivo já vem se abrindo nessa perspectiva e o que a gente quer fazer é ampliar esse leque de atuação e de interlocução”, afirmou.

Flávia afirma que projetos que trabalham a memória das periferias já existem. Um deles, o “DPH de Periferia”, desenvolvido em parceria com o Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) da Secretaria de Cultura de São Paulo, cria condições para que comunidades e coletivos periféricos possam desenvolver projetos de salvaguarda do próprio patrimônio.
“A ideia é que a gente possa, a partir de um trabalho conjunto com os movimentos sociais e a partir de editais públicos, que a gente consiga construir instrumentos para que a sociedade possa participar. E que a nossa história não seja contada só a partir dos olhos das elites, mas também de todos os sujeitos sociais.”

Ela defende que todos os setores da sociedade são produtores de conhecimento e de documentos, e devem ter sua história registrada.
O Arquivo Nacional tem hoje 55 km de documentação textual, 2,2 milhões de fotografias, 120 mil rolos de filmes, 2.300 mapas e plantas, além de milhares de livros e folhetos.
Boa parte deste acervo está disponível para consulta no Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN).

A historiadora e professora destacou o potencial de expansão do acervo a partir de materiais que podem ser doados por pessoas físicas. “As pessoas também guardam documentos pessoais. Então, a gente pode muito bem ter uma política de doação. Mas é importante que a gente possa criar instrumentos que as pessoas possam entender que a documentação delas também é história do Brasil.”

Ela assumiu o cargo em outubro de 2024. É mestre e doutora em História pela UnB, com pós-doutorado pela Universidade de Brown (EUA).
Ana Flávia Magalhães falou sobre o papel do Arquivo Nacional para os cidadãos.
“O Arquivo Nacional é uma instituição que guarda a memória do Brasil. É uma instituição que preserva, organiza e dá acesso a documentos e acervos que contam a história do nosso país.”
“A gente não pode pensar em preservar a memória do Brasil sem preservar a memória de todos os brasileiros e brasileiras. Periferia também é Brasil.”

Não dá para a gente pensar em fazer política pública sentado numa sala, dialogando apenas com nossas próprias ideias e com pessoas iguais à gente. É preciso sair, ouvir, dialogar com a sociedade como um todo. É isso que a gente está propondo.

Ana Flávia Magalhães, historiadora e diretora do Arquivo Nacional

A entrevista na íntegra pode ser conferida no programa ‘Repórter Brasil’ da TV Brasil, disponível no site da emissora e em plataformas de streaming.

Mauro Santos

Mauro Santos

Sou jornalista profissional, formado pela Universidade de São Paulo (USP). Trabalhei em grandes veículos da imprensa paulistana e hoje me dedico à cobertura local em São Carlos.