O Tribunal do Júri da Comarca do Rio de Janeiro deu início, nesta quinta-feira (15), ao julgamento dos acusados pela morte de um cinegrafista ocorrida durante uma manifestação na capital fluminense. O caso, que completa onze anos, é um dos mais emblemáticos da história recente do país e mobiliza atenções de entidades de defesa da liberdade de imprensa.
Os réus, que estavam presos preventivamente, foram levados ao fórum sob forte esquema de segurança. A sessão foi marcada pela presença de advogados de defesa e representantes do Ministério Público, além de familiares da vítima. A acusação sustenta que os envolvidos agiram com dolo ao lançar o artefato explosivo que atingiu o profissional de imprensa.
De acordo com as investigações, o crime ocorreu em fevereiro de 2014, durante um protesto no centro do Rio de Janeiro. O cinegrafista, que trabalhava para uma emissora de televisão, foi atingido por um rojão enquanto registrava as manifestações. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local. As imagens do ataque foram amplamente divulgadas e geraram comoção em todo o Brasil.
O Ministério Público pede a condenação dos acusados por homicídio qualificado, com agravantes. A defesa, por sua vez, busca a desclassificação para homicídio culposo, argumentando que não houve intenção de matar. Peritos e testemunhas serão ouvidos ao longo dos próximos dias.
A expectativa é de que o julgamento se estenda por pelo menos três dias, com debates entre as partes e, ao final, a decisão dos jurados. A sociedade fluminense e organizações de direitos humanos acompanham atentamente cada etapa do processo.
O caso reacende o debate sobre a segurança dos jornalistas em coberturas de protestos e a necessidade de punição exemplar para crimes contra profissionais da imprensa. A conclusão do júri popular deverá marcar um desfecho para um longo capítulo da história judiciária do estado.
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